Próxima parada: saudade

Foto: Pinterest

Lê ouvindo Beija-flor, por Zeca Baleiro, vai gostar!

Olho meu e-mail e vejo que chega o momento de fazer o check in online. 17h30 eu estarei voltando.

A gente vai ao apartamento e faço minha mala, jogando tudo de qualquer jeito – porque nunca cabe mesmo nada certinho como na ida, vai entender – e digo: – Amor, estou pronta!

Você liga o ventilador do quarto, deita na cama já desocupada da minha bagunça e me chama para deitar junto. Estamos meio atrasados, já que ainda iríamos visitar uma amiga, mas eu deito. Como resistir a qualquer pedido seu? Deito, encosto no seu ombro, e desejo não precisar sair nunca mais dele.

Queria dizer, enquanto estou ali, o quanto te amo e o quanto seria louca ao ponto de não voltar para casa. Mas alguma coisa embarga a minha voz. E eu sou mesmo muito durona para chorar na sua frente.

Então levantamos. Confiro se não esqueci nada e descemos o elevador. Engraçado que eu sinto que deixei algo por lá, mas me parece estar tudo na mala – em algum lugar remoto dos montes distantes de roupas que joguei nela – então deixo de lado a preocupação e tento curtir a horinha restante antes do embarque.

Depois de uma tentativa falha de visitar a feirinha que sua amiga trabalha, e de enfrentar aquela velha fila de carros que te persegue (a Lei de Murphy te ama!), chegamos ao aeroporto. Despacho minha mala, que é pequena, mas está pesada, e buscamos um lugar para tomar um café nos vinte minutos restantes.

Café com canela. Recordo-me do texto que fiz em sua homenagem que diz “meio como aqueles cafés com canela, que não parecem café, mas são”. Você é meio um café com canela que eu tomo sem açúcar (por insistência sua, mas realmente é bom sem). Bebo o café e percebo o quanto esses momentos não têm o menor preço, mas um valor além do imaginável.

Vamos andando até a entrada da sala de embarque. Noto sua expressão mudar e isso me dá um nó na garganta. A moça do portão fala alto e apressadamente: – Próximo, por favor!

Acho que ela nunca vai entender que para quem se despede, é preciso tempo, todo o tempo do mundo. Abraço você como quem diz “não quero ir” e você retribui meu abraço como quem fala “por favor, não vá”. E a moça do portão insiste. E eu digo te amo. E vou, sem olhar para trás.

A verdade é que sei que nos veremos em breve, mas cada vez que estou com você, e o tempo passa, fica mais difícil qualquer despedida. Aviso no grupo da família “estou na sala de embarque” e minha mãe responde “oh filha, já? Vai ficar com saudades”. E eu já estava.

Mas você me deu o meu melhor aniversário. O melhor dia dos namorados. E todos os dias, você me dá o melhor de você. E eu faria mil viagens de avião – mesmo odiando, passando mal e detestando o fato do fone de ouvido não conectar direito na tv – para sentir novamente todas as borboletas voando dentro do meu estômago e todas as emoções bonitas preenchendo meu coração.

Percebo, na fila para embarcar – lado direito, para assentos de 12 a sei lá quantos – que deixei algo importante no seu apartamento. Algo que precisarei buscar muito rápido. Algo que talvez seja impossível viver sem. Penso em voltar para buscar, mas não daria tempo. E sei que logo terei de volta comigo. Percebo, na fila para embarcar, que esqueci minha parte mais bonita: você.

E quando o avião decola, lá de cima, querendo chorar eu abro um sorriso e leio a revista de bordo, na certeza de que não existem amores à distância. Tudo que é amor, perto da gente está.

Facebook Comments
2 comentários Adicione o seu

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *