O lado leve que a vida pode ter

 

Eu não sei porque aceitei vir até o parque de diversões que chegou recentemente à cidade com minha melhor amiga, a Bia. Eu passo mal em brinquedos. Talvez movida pela vontade de comer todas as besteiras maravilhosas que se vendem geralmente nesses locais e, quem sabe, para tirar um pouco ele da cabeça.

Leia ao som de Roda Gigante – Biquíne Cavadão

Chegamos por volta das 17h. Pensei comigo que não seria de todo mal me divertir um pouco. Afinal, desde que ele me deixou para cursar aquela faculdade em outro país, tudo que tenho feito é chorar e ver séries de terror. Bia estava animada, nem parecia aquela garota estudiosa que vivia enfiada em livrarias e bibliotecas por aí. Me puxou pela braço: Vem Carolina, vem! Vamos à roda gigante!

Fomos para a fila. Lá conversamos até chegar nossa vez de subir em um dos bancos. Chegou. Sentamos no banco de cor vermelha e eu já estava numa crise de ansiedade enorme só de pensar em todas as possibilidades que podiam acontecer caso ela quebrasse ou algo do tipo. É, eu sei, sou meio exagerada mesmo.

Mas Bia me deu a mão e disse que tudo ia dar certo e me senti segura, afinal, sempre que ela disse isso, funcionou.

Nós duas estávamos lá nos divertindo e minha cabeça analisava tudo com cautela, coisa rara para uma mente ansiosa como a minha. Logo eu, que pensava em mil assuntos juntos, consegui focar naquele relacionamento e em nosso término.

Enquanto a roda gigante girava, pude perceber que às vezes ela para lá em baixo, perto do chão, e nesse momento a gente sente medo por imaginar que, quando ela estiver no alto, a gente poderá cair e se machucar.

Mas, quando ela tá lá no topo, a gente se sente próxima do céu, das nuvens de algodão, da imensidão do azul e da energia que vem de lá do alto.

Foi nesse momento que eu consegui me desapegar dessa história toda, sabe? Lá no alto eu consegui olhar para tudo de forma diferente. Eu me deixei ser cativada. Eu vi o outro lado da história. E me senti livre como um pássaro voando por aí procurando o meu lugar no mundo, assim como ele fez.

Percebi que a vida é uma grande roda-gigante. Que uma hora estamos no topo, ao lado de quem sempre sonhamos e, em um instante, tudo muda e estamos lá em baixo, pertinho do chão, bem perto do medo de não conseguirmos sobreviver à solidão. E eu me vi tão sem você após aquele e-mail da sua nova faculdade. Perdi você no momento em que vi seus olhos brilharem para aquela oportunidade.

Dizem que quem ama liberta, não é? E eu decidi dizer que tudo bem você ir. Que eu faria o mesmo em seu lugar. Quer a verdade? Não, eu não iria se fosse você. Eu sou covarde e jamais soltaria sua mão para viver o desconhecido sem a sua companhia. Mas eu me vesti da minha maior coragem para dizer vá. E você foi. E eu fiquei aqui, girando numa roda de lágrimas sem fim.

Mas hoje, aqui girando nesse vagão vermelho junto a uma sorridente Bia que tira selfies e dá gritinhos de alegria, eu me dei conta de uma coisa. Se essa grande roda girou para ti e te levou, então existe um destino incrível para o qual ela quer me levar também. Quem sabe até a gente se encontre em uma dessas voltas. Não seria o máximo? Hoje eu me permiti sorrir então, que nem a Bia.

– Vamos Carol!

Quando me dei conta, a roda gigante parou. Bia me puxou ansiosa para o próximo brinquedo. E eu sorri. A vida podia ser divertida, afinal. Passei meus braços pelos ombros dela e lá fomos nós para a montanha-russa. E ele? Bem, ele estava tão longe não é? Decidi viver o aqui. E deixar o agora me levar para um futuro bom.

 

Texto em parceria com a maravilhosa Sabrina Hoier, autora da página O amor entre versos.

 

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