Te amei em uma tarde de verão

Desde o dia em que meus olhos encontraram você na multidão de calouros do curso de Psicologia eu tive a certeza de que você seria o meu sol e a minha maior tormenta. Dizem que a gente sabe quando vai se apaixonar. Acho que soube ali.

Você sorriu com aquele jeito de eterna primavera, com flores estampadas em um vestido simples de malha, um tênis branco e todas as artimanhas possíveis de alguém que sabe não precisar se esforçar para cativar um coração.

– Oi, é aqui que se inscreve para as aulas extras? Perguntei, meio que como um pretexto para ouvir sua voz. Mas também por estar realmente perdido naquele campus enorme e cheio de árvores.

– Oi! É sim. Qual curso você vai fazer? Se for da minha turma, quero sentar do seu lado, posso? Odeio primeiros dias de aula.

Meu curso era o mesmo que o seu. Ainda bem! Não consegui respirar direito quando sentamos um do lado do outro. O professor se apresentava enquanto você tentava achar sua caneta da sorte dentro de uma bolsa enorme de tecido, onde se lia “Preserve o meio ambiente, porra!”. É, irreverente, eu diria. Não entendi ali se você seria uma espécie de protetora da natureza radical, daquelas que sobem em prédios para pregar cartazes ou intervém na caça a baleias. Tanto faz. Gostei de você, de todo modo.

Gostei da forma que uma de suas mechas de cabelo castanhos caía despretensioso no seu rosto. E mais ainda da forma despreocupada que você o retirava toda vez, como se nada a incomodasse. Me senti um completo tolo imaginando que você pudesse gostar de comer aos domingos na mesma lanchonete que eu e qual seria o nome do seu gato. Você tinha cara de quem gostava mais de gatos do que cachorros.

A aula acabou. Você levantou, com sua bolsa, sua caneta da sorte e seu sorriso. Esse sorriso me matou. Como alguém poderia ser tão feliz? Mas aí me toquei. Eu conseguiria também, se pudesse estar com você sempre. Ouvindo suas histórias, rindo das suas piadas. Fazendo macarrão com calabresa para você. Eu só sei fazer isso, mas é bom.

– A gente se vê!

E você se foi.

Como pode ter ido assim? Tipo aquela brisa de verão que vem e promete dias mais frescos mas, logo em seguida, parte. Como pode me privar desse pequeno raio de sol que me iluminou tão profundamente?

Eu sabia. Sempre soube que você seria meu sol e a minha maior tormenta.

Ana Carolina, por alguns segundos, o amor da minha vida.

(E então o dia seguiu).

 

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