Um conto de Natal – Parte II

(Leia a Parte I aqui.)

Leia ao som de Christmas for you and me, de Drew Holcomb & The Neighbors

– Deus? Hahaha! Não baby, meu nome é Júlio, prazer!

Duda olhou em volta por mais alguns segundos. Nada ali fazia sentido pra ela. Pessoas com roupas antigas, que pareciam ter saído de um filme bem velho.

– Ei, não se assuste – disse Júlio – , você não morreu, fica tranquila. Mas eu… bem, eu sou o fantasma do Natal passado. E preciso te mostrar uma coisa, vem comigo?

Sem tempo para recusar, Júlio segurou a mão de Duda e juntos eles simplesmente foram enviados para outro lugar. Era uma casa com móveis antigos e muitas pessoas se abraçavam naquele momento.

– Onde eu estou? Como a gente veio parar aqui?, perguntou Duda, achando que seria mesmo necessário parar de tomar tantas aspirinas para dor de cabeça. Elas estavam mexendo com seu psicológico.

– Duda, essa véspera de Natal está acontecendo em 1947. Aquela moça bonita de vestido vermelho é a sua avó, Juliana. Logo ao lado dela, sua mãe e seu tio Marcos. Sabe aquela tradição que você tanto reclama de ter que usar roupas vermelhas, verdes ou douradas? Ela criou essa regrinha justamente nessa noite. Para ela, o Natal era uma época importante demais.

Duda ficou perplexa com a cena. Era mesmo a sua avó que ela tanto sentia falta? Mas, como? E sua mãe, um bebezinho! Tio Marcos com três anos ou quatro. Aquela cena fez a menina dos olhos cor de jabuticaba ficar sem ar.

– Mas… porque você me trouxe aqui?

Júlio olhou para Duda com um sorriso estilo Hollywood no rosto e respondeu: – Garotinha, será que ainda não percebeu? Eu vim aqui te mostrar o valor de algumas tradições familiares. Elas não são criadas à toa. Elas geralmente possuem um significado importante. Sua avó sempre foi uma mulher querida por todos os Nogueiras. Ela sempre foi o elo que unia todos, de todas as gerações. Quando pequena, dona Juliana passou mal os bocados pulando de orfanato em orfanato. Finalmente, em uma noite quente de Natal, um casal muito bom apareceu e pode então dar-lhe um lar. Foi o dia mais feliz do mundo pra ela. Nesse dia, sua nova mãe usava um vestido verde e seu pai, uma blusa vermelha. A árvore de Natal estava toda enfeitada com bolas douradas que brilhavam muito. E, desde esse dia, dona Juliana entendeu que o Natal seria sempre a melhor época do ano.

Duda tinha lágrimas nos olhos. Como ela nunca tinha ficado sabendo sobre a história da sua avó tão querida? Dona Juliana havia falecido fazia três anos. Apesar de muito comunicativa, nunca falou sobre seu passado a Duda. Talvez, pensou a menina, a dona Juliana até pudesse querer contar, mas Duda andava sempre tão ocupada indo a lojas de discos com Julieta…

Júlio deixou que Duda observasse um pouco mais os Nogueiras celebrando e logo em seguida falou: – Duda, neste Natal, é necessário que você aprenda três importantes lições. Eu já te dei uma. O respeito e valorização que temos que ter com as tradições das nossas famílias. Agora, eu preciso ir. Foi bom te conhecer, baby!

Duda então foi transportada novamente, mas dessa vez para para o escritório de contabilidade do seu pai. Sentada em uma cadeira ao lado da janela, uma moça sorridente de cabelos ruivos parecia já estar aguardando a chegada dela.

– Duda, meu amor! Como você cresceu!

Aguarde a terceira parte, em breve no blog!

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2 comentários Adicione o seu
  1. Que linda essa segunda parte. Tô amando, gêmea. E já aguardando a terceira parte. Você tem um dom incrível, sabia? Que essa luz de Natal reine em você todos os dias, pq é isso que você transmite. Te amo!

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